quarta-feira, 31 de março de 2010

Miss Imperfeita

"Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, marido (se tiver), telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!
E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás.
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros..
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você é, humildemente, uma mulher.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.
Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor.
Três dias..
Cinco dias!
Tempo para uma massagem.
Tempo para ver a novela.
Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário.
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar.
Para engravidar.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si..
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.
E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'
(Martha Medeiros)

terça-feira, 30 de março de 2010

Mil faces...

Ontem precisava tanto ler esse post da Andréa, que vasculhei o blog dela várias vezes sem êxito... Expliquei a ela e pedi... Disse ela que sim, Freud explica a minha cegueira... e gentilmente mandou pra mim o fantástico texto por meio do qual conseguiu nos definir tão bem...
Ei-lo:

"Sabe que eu gosto do nome do seu blog? "Mil faces de Luiza".
É que quando escrevo, me sinto assim, mil faces disputando.
Cada dia escreve uma, cada dia um enredo.
É quase um funcionamento esquizofrenico, ou medium em Centro Espírita, cada dia uma entidade, cada dia baixa uma.
E quem escreve, quem se arrisca a escrever, tem que ser um pouco fragmentária.
Diria mais, quem escreve precisa ter coragem.
Coragem para circular naquilo que somos, imaginar o que poderíamos ter sido, e não fomos.
Ser também observador, ladrão, pescador.
Olhar a vida do outro; roubar frases, gestos, estórias; pescar sentidos, ilusões.
Depois bater tudo isso, liquidificar em mil pedaços e aos poucos, com todos esses retalhos ir compondo.
Cacos, pedaços, todos eles contam verdades, minhas verdades. Tuas verdades espelhadas.
É porque a verdade nunca é única, reside em várias moradas.
Se cada um possui a sua, eu possuo várias.
E assim, no susto de ser tantas, viver se tornou uma surpresa.
Vivo aos pulos, na ansiedade de quem não se sabe.
Tenho dias de calmaria, e outros de turbulência.
Acordo uma, durmo outra.
Quantas sou? Não sei dizer.
A vida é tão rica, tão cheia de possibilidades que, ser uma só sempre me pareceu falta de imaginação. Meu destino se esconde no mistério.
Mil fragmentos, combinações.
É na palavra que encontro o ponto de equilíbrio que internamente não possuo.
Tecendo inconsciente, fio de letra, calmaria.
Fio de outro, possibilidades, construções.
Tenho dias de senhora, moça pura, pudica, carola, desvairada.
Dias de santa louca e meretriz abandonada.
Dias de bem resolvida, dona de casa, mãe coragem, compreensão.
Em outros sou carente, mulher demente, dias de ataque, devassidão.
Na corda bamba, vivo dentro da palavra,
Posso ser muitas
Minhas faces, todas elas, entre meus extremos ,
Sou puta devota, puritana convicta.
Quem de mim você já viu?
Linha da vida, palma da mão.
Entre a razão e o coração.
Cambaleando, estou viva, mil faces de emoção."

A pergunta que não quer calar

Por que
felicidade vem em gotas
e tristeza de enxurrada?
Derrubei os muros que me protegiam.
Dei liberdade.
Devassei espaços que me eram privados,
para descobrir até onde iriam.
Dei risadas, contei piadas, ofereci um pouco de confiança,
curiosa em saber o que cada um faria,
qual abusaria, qual respeitaria os limites, e quais limites.
Acabei por construir mais pontes do que muros,
temendo a solidão.
Quis saber o que aconteceria, afinal.
Me fiz conscientemente vulnerável,
para saber quem agrediria,
ou quem sequer me tocaria (embora pudesse).
Mesmo desarmada,
descobri que poucos me atraíam...
alguns apenas por temer encontrar meu punho cerrado.
E assim, feita acessível e vulnerável,
sem me proteger com tanta convicção,
ou nos castelos em que poderia,
me vi transparente.
Translúcida, pude enxergar melhor
E compreender...
Testar respostas...
Tentar estímulos...
Desfrutar sensações...
Experimentar emoções...
Por vezes me foi permitido partilhar do sentimento livre,
da reserva selvagem,
desvendar a essência do interlocutor.
E por me sentir livre, percebi quem atende à força,
à doçura, à curiosidade, ao desejo...
Acabei por saber do outro quase tanto quanto ofereci,
pois sem que se desse conta, o devassei.
Quando me feriu, mostrou-se nu
(sincero até, mas sem querer),
e quando se abriu, me possuiu
(ainda mais frágil e vulnerável).
Vi máscaras caírem,
me perguntando se ficaria o mundo mais puro nesses raros instantes...
Vi quem não as usava,
na mais pura entrega.
Foram poucos, verdade,
mas tiraram do peito a angústia de quem
se protegeu tanto que já não amava,
não se expunha conscientemente,
não se deixava penetrar apenas para não se ferir.
Vários desfrutaram da minha terra proibida,
já não mais cercada.
E mesmo assim roubaram, depredaram,
levaram pequenas partes de mim sem licença...
Alguns poucos, ainda da margem,
jogaram flores, apreciaram a paisagem...
Perto, e sem medo, se deixaram tocar...
E provaram, consentidamente, o que de melhor havia em mim.

Provocação

Devassa pouco convicta?!?!
Experimente, se fores capaz!

Sabedoria infantil





"O gatinho subiu,
O passarinho voou,
O cachorrinho latiu,
O mosquitinho mordeu."

segunda-feira, 29 de março de 2010

Falhas

"Uma das coisas que fascina na cidade de San Francisco é ela estar localizada sobre a falha de San Andreas, que é um desnível no terreno da região que provoca pequenos abalos sísmicos de vez em quando e grandes terremotos de tempos em tempos. Você está mui faceiro caminhando pela cidade, apreciando a arquitetura vitoriana, a baía, a Golden Gate, e de uma hora para outra pode perder o chão, ver tudo sair do lugar, ficar tontinho, tontinho. É pouco provável que vá acontecer justo quando você estiver lá, mas existe a possibilidade, e isso amedronta mas ao mesmo tempo excita, vai dizer que não?
Assim são também as pessoas interessantes: têm falhas. Pessoas perfeitas são como Viena, uma cidade linda, limpa, sem fraturas geológicas, onde tudo funciona e você quase morre de tédio.
Pessoas, como cidades, não precisam ser excessivamente bonitas. É fundamental que tenham sinais de expressão no rosto, um nariz com personalidade, um vinco na testa que as caracterize. Pessoas, como cidades, precisam ser limpas mas não a ponto de não possuírem máculas. É preciso suar na hora do cansaço, é preciso ter um cheiro próprio, uma camiseta velha pra dormir, um jeans quase transparente de tanto que foi usado, um batom que escapou dos lábios depois de um beijo, um rímel que borrou um pouquinho quando você chorou.
Pessoas, como cidades, têm que funcionar, mas não podem ser previsíveis. De vez em quando, sem abusar muito da licença, devem ser insensatas, ligeiramente passionais, demonstrarem um certo desatino, ir contra alguns prognósticos, cometer erros de julgamento e pedir desculpas depois, pedir desculpas sempre, pra poder ter crédito e errar outra vez. Pessoas, como cidades, devem dar vontade de visitar, devem satisfazer nossa necessidade de viver momentos sublimes, devem ser calorosas, ser generosas e abrir suas portas, devem nos fazer querer voltar, porém não devem nos deixar 100% seguros, nunca. Uma pequena dose de apreensão e cuidado devem provocar, nunca devem deixar os outros esquecerem que pessoas, assim como cidades, têm rachaduras internas, portanto podem surpreender. Falhas. Agradeça as suas, que é o que humaniza você, e nos fascina." (Martha Medeiros)

sábado, 27 de março de 2010

Te quiero

"Tus manos son mi caricia
mis acordes cotidianos
te quiero porque tus manos
trabajan por la justicia

si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos

tus ojos son mi conjuro
contra la mala jornada
te quiero por tu mirada
que mira y siembra futuro

tu boca que es tuya y mía
tu boca no se equivoca
te quiero porque tu boca
sabe gritar rebeldía

si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos

y por tu rostro sincero
y tu paso vagabundo
y tu llanto por el mundo
porque sos pueblo te quiero



y porque amor no es aureola
ni cándida moraleja
y porque somos pareja
que sabe que no está sola

te quiero en mi paraíso
es decir que en mi país
la gente viva feliz
aunque no tenga permiso

si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos."
(Mario Benedetti)

Furtado do Fernando: http://blogdofernandoalves.blogspot.com/

sexta-feira, 26 de março de 2010

Pé feminino

"Vem com pés de lã passear pelo meu peito.
Vem de manso ou de repente, pé de anjo, vem de qualquer jeito
Domar o meu espanto
de ser subjugado sob os pilotis das coxas do objeto
amado.
Vem com uma pulseira de cobre nos artelhos,
exorcizar os mil demônios
que se enroscam entre os meus pentelhos.
Vem ser lambido, lambuzado, entre os dedos,
vem girar os calcanhares no meu rosto,
torturador sádico
querendo extorquir segredos.

Vem me submeter a tua tirania sem idade,
vem violentar
e ser violentado,
cair de pé, em pé de igualdade.

Vem com teu exército de dedos sobre mim perplexo.
Vem pedestal.
Vem sereníssimo esmagar a cabeça de serpente do meu sexo."
(Henfil)

Acalanto

Te despirei com minha boca e meus pensamentos
Me apossarei do teu corpo por algumas horas apenas
Mas enquanto durar, irei governá-lo
sem que percebas
Invadirei tua alma,
dominarei teus medos e tuas fraquezas
te perscrutando até (des)cobrir tua essência
Tua boca, minha busca
Teu corpo, meu refúgio
E seremos cúmplices abandonados na solidão de dois
Mas em ti me saciarei
e silenciarei para não me revelar
E quando cogitares minha fuga
indo ao meu encontro
e, aliviado, constatares que ali permaneço
farei do teu peito meu acalanto
Porque definir o que nos une será
e-terna-mente
impossível

Sutilmente

"E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce

Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti"
(Nando Reis e Samuel Rosa)

quinta-feira, 25 de março de 2010

Nos conhecemos na casa de praia de uma amiga. Ela nos apresentou e ele não disse nada, nem "Como vai", nem "Muito prazer". Nada. Não estendeu a mão e se virou de costas para mim, puxou uma cadeira e sentou sem dizer uma palavra. Minha amiga ficou perplexa com a falta de educação, me tirou de trás dele, daquela situação constrangedora, e murmurou: "Ele é um sujeito temperamental". Não entendi o comportamento dele. Nunca o tinha visto antes. Não pude tirá-lo da cabeça. Ele me hostilizou a tarde toda. E quanto mais ele me hostilizava mais eu o odiava. E quanto mais o odiava mais pensava nele. Era um mistério seu desprezo por mim, não fazia sentido. Pensei nele até o fim da tarde e fomos embora para nosso hotel. No carro ele conversou com o chofer e não me dirigiu uma só palavra, nem se virou para trás uma úniva vez, apenas disse um "Adeus" seco quando saltei do carro, como se eu o incomodasse, sendo que havia se despedido gentilmente dos demais convidados... sorrindo e desapareceu. Entrei intrigada e não pude tirá-lo da minha cabeça. À noite ouvi uma batida na porta do meu quarto no hotel e ao abri-la, pensando ser a arrumadeira ou o garçom, vi que era ele. Estava vestido de malha, jeans e tênis, os cabelos molhados, o corpo exalando o cheiro do banho morno. Dessa vez estendeu a mão e me olhou nos olhos sem nenhum desprezo, o que me deixou ainda mais pensativa, e me convidou para jantarmos juntos. Os outros haviam saído, éramos só nós dois no hotel, fazia sentido que jantássemos juntos. Fomos caminhando até a praia, ele estava gentil, reverente, quase tímido, fazia perguntas e falava apenas de mim. Sentamos numa mesa do restaurante à beira mar, ele pediu champanhe, fez um brinde ao nosso encontro. Levantei sem esperar a comida e voltei sozinha para o hotel, caminhando pela praia... sem conseguir tirá-lo do pensamento.

quarta-feira, 24 de março de 2010

"No corpo feminino, esse retiro
a doce bunda é ainda o que prefiro.
A ela, meu mais íntimo suspiro,
pois tanto mais a apalpo quanto admiro"
(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 21 de março de 2010

"Eu, sempre que parti,
fiquei nas garés,
olhando,
triste,
pra mim..."

sábado, 20 de março de 2010

Amores Clandestinos

"Amor clandestino: um dia você vai ter um. Você solteiro e o outro casado, ou você casado e o outro solteiro, ou ambos casados. Não é um amor como os outros. Amor clandestino é amor bandido, fora dos padrões. Requer encontros secretos, sussurros ao telefone, algumas datas impossíveis de serem compartilhadas e muita saudade. Ou seja: é nitroglicerina pura! Nenhum desgaste do cotidiano, nada de sogra, cunhada e, melhor ainda, nada de filhos! É só os dois e aquelas horas contadinhas no relógio, impedindo que o casal perca tempo com qualquer outra coisa que não seja prazer. No entanto, as pessoas sofrem por causa destes amores. Se é tudo uma festa, qual é a bronca?
O amor clandestino, pra começar, é superestimado. Ele tem a cara dos contos-de-fada, dos filmes que passam no cinema, das cenas de novela. Vivenciamos uma idealização: o par perfeito, que vive entre quatro paredes e que ignora o que acontece do lado da porta da rua pra fora. Já que se vêem pouco, as palavras de amor transbordam, e como ao menos um dos dois é comprometido, o jogo da sedução é ininterrupto. O sexo é a estrela da casa, por causa dele a relação nasceu e se mantém. Não é um amor como os outros, e isso é tão bom que acaba se tornando um problema.
Terminar uma relação assim é acordar de um sonho. E persistir numa relação assim é um pesadelo. O amor precisa ser ventilado, sair pra rua, respirar ar puro. O amor precisa de duas pessoas em igualdade de condições. Acreditar que basta uma cabana é ilusão: o amor precisa ser testemunhado.
Amores clandestinos são tentadores para as pessoas vaidosas, que precisam certificar-se do seu poder de fogo, que necessitam conquistar e serem conquistadas. Quem não tem esta vaidade? Umas sufocam, outras topam a parada. Uns saem da experiência revitalizados, outros atolam. É muito difícil medir o verdadeiro amor diante de uma relação tão cheia de significados, com tantas armadilhas no caminho, com todo o ilusionismo que a sustenta. O que parece amor pode ser apenas uma fantasia levada às últimas conseqüências. E o que parece apenas uma fantasia levada às últimas conseqüências pode ser mesmo amor. Falta parâmetros para medir este amor intramuros. É o céu e o inferno de quem se atreve."
(Martha Medeiros)

Ainda no consultório

"Qualquer caso tem a rapidez de uma pane. Não será o barco vagaroso, empurrado da areia para o oceano, como no namoro. Está em alto-mar desde o início.
Essa vertigem seduz muitos amantes, que entendem a entrega como um amadurecimento sobrenatural do amor, a descarga elétrica como se fosse química para o resto da história. É um encontro em estado de emergência, um desespero epidérmico, um pânico comunicativo, uma pressa para se consumir.
Tudo parece definitivo porque desligaram as censuras." (Carpinejar)

Consultório sentimental

"Homem não muda, se enjoa. Cansa de um mesmo comportamento.
Mas não aceita que a transformação venha de fora.
Dificilmente vai admitir quando puxam sua orelha. Ele se sente pressionado.
Acredita que arrogância é masculinidade. Não vejo assim: a humildade pode ser extremamente portentosa. Mas humildade é tratada como ceder e ceder é tratado como fraqueza.
Um efeito dominó de distorções.
Precisaríamos de um novo dicionário amoroso.
O machismo é pensar o homem como sinônimo de autoridade. Autoridade não é nada diante da importância. Mais importância, menos autoridade. Não sei se me entende.
Importância é não ser esquecido pelos atos, autoridade é cobrar a lembrança.
A encarnação dele deriva um pouco do contexto social e mais um pouco de limitação para não destoar do senso comum.
Convivo com amigos com idêntico temperamento: fanfarrão, cheio de gracinhas para todas e com tiradas como se estivesse solteiro. Insuportáveis. Regurgitam flertes. Minha teoria: quanto mais bagaceiros, menos persuasivos, menos sedutores.
Não ficaria preocupada. São inofensivos. Garanto. Falam de sexo pelos cotovelos e terminam como os mais comportados na hora de dormir.
Seu moço assume esse tipo para provocar. Para testar. Para conseguir audiência. O ciúme é muitas vezes o único amor que o homem pode oferecer. Ele provoca para se enxergar valorizado e valorizar. Não é para aumentar o ego, é porque não tem ego, sofre de uma carência absurda, uma desvantagem, a ponto de procurar reequilibrar a estima em cada saída ou aceno. Ele se boicota, na verdade, por julgar não merecer o próprio relacionamento. Tanto que diz que gostaria de ser "mais sossegado para fazê-la feliz."
Não dê bola. Sua boemia e suas madrugadas são mais verbais do que reais. Pode voltar. Depende de paciência, não se incomodar com suas provações infantis.
Um dia, ele cresce. Contigo, será mais fácil. É um cordeiro. Que apenas tem vergonha de sua lã." Fabro.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Andréa

Cá estás tu me provocando a falar sobre orgasmo...
Vamos lá.
Primeiro, vale dizer: feliz da mulher que teve seu primeiro orgasmo sozinha! Porque a busca (e o encontro) do prazer é solitário como o é tudo o mais nessa vida. Se não conseguimos ser felizes sozinhos, nos sentirmos completos sozinhos, estar satisfeitos sozinhos, como exigir que outro o faça por nós?
Somos responsáveis pelo rumo das nossas vidas... estamos condenados a escolher... e isso redunda em fracassos e êxitos com os quais precisamos aprender a lidar.
É difícil, eu sei... mas a vida não espera o aprendizado, ele vem com ela.
Sem querer divagar sobre questões de ordem fisiológica, sempre tive ideias bem praticas sobre o assunto. Quem não conhece o próprio corpo, dificilmente desfrutará de um. Até para os homens, que associam o orgasmo à ejaculação, as coisas não são tão simples assim, pois já li relatos de que a simples ejaculação não significa exatamente a obtenção do prazer máximo.
Considerem a minha ascendência gêrmanica, de onde herdei a objetividade no falar. Com isso sempre classifiquei, diante das minhas próprias sensações - pois possuo apenas um corpo - dois tipos fundamentais de prazeres carnais relacionados ao sexo: gozo e orgasmo.
O primeiro pode ser sentido várias vezes durante uma relação sexual, com carícias, determinadas práticas ou posições... esgota cada uma delas e isso significa que chegou a hora de virar de lado, mudar de posição, tentar novo ângulo...
O segundo é o auge... o clímax... a sensação de uma descarga elétrica pelo corpo... iniciando pela região vaginal/anal e se espalhando em ondas, como uma pedrinha que cai n'água... Tem intensidades diferentes dependendo de quem é a companhia (ou se não há companhia); de por onde anda a cabeça naquele momento; da quantidade de desejo e/ou sentimento; se se tenta adiar ou se deixa fluir...
Pode ser 'sofrido', um alívio, uma explosão... mas sempre é esperado, pois não ocorre sem empenho, dedicação, concentração...
Podem ocorrer alguns numa mesma relação, embora cause um cansaço que talvez se assemelhe ao do homem... é preciso parar um pouco, descansar, cochilar...
Podem ser múltiplos, de serem um seguido do outro, ou porque há dois estímulos simultâneos...
Pode ser poderoso a ponto de provocar uma abundante produção de fluídos, ou tranquilo como uma marolinha na beira do mar... Ainda há dias em que é buscado com determinação; outros em que tanto faz... talvez porque estejamos muito longe dali, ou mais interessadas em descobrir o parceiro e lhe proporcionar mais prazer... com o que geralmente se tem retorno...
Nunca o encarei como uma obrigação... nem para comigo mesma, nem para com o parceiro no sentido de exigir-lhe uma 'atitude'... a responsabilidade não é do homem, embora um homem preocupado com o prazer da mulher seja maravilhoso e o que se empenha com voracidade sempre colha bons frutos...
Também sempre achei o sexo uma coisa maravilhosa... excitante, lúdica, emocionante, lúbrica, deliciosa, sacana, sem fronteiras... cria intimidade, cumplicidade... tantas vezes urgente!
E se consentido, entre quatro paredes vale tudo, definitivamente (e entre adultos cientes do que estão fazendo, obviamente).
A pergunta que não me saía da cabeça era: mas porque um orgasmo dura tão pouco?! E acabei concluindo que o Criador, na Sua inteligência suprema, não o fez durar muito porque jamais iríamos querer sair desse estado de plenitude, e nos tornaríamos escravos do vício... Então fez com que durasse apenas poucos segundos para que sempre queiramos mais, sem que nos deixemos escravizar pelos sentidos...

Pra mim?!

"Quatro dias sem plugar a Net... sem lembrar da existência desse bicho chamado computador.
Quatro dias bem concretos... de amor concreto... e que amor...
O choro foi inevitável. A mocinha do estacionamento ficou meio desconsertada
Validei o ticket, sentei-me ao volante... não quis abrir o envelope. Fiz bem, caso contrário estaria estacado lá até agora.
Como podes ser tão boa para mim? Como? Será que mereço?
É engraçado isso... tuas lembranças fundidas... os sentimentos amalgamados.
As minhas trapalhadas... as ruas erradas e as intermináveis voltas, seguidas de um prazer enorme de estar contigo. 
As subidas repentinas... e as profundas e nada estimulantes quedas... e as subidas outra vez, assim do nada... ou do mais profundo tudo. As pré-ocupações e contramãos... As frases ditas sem nexo. ENFIM...
E aquilo tudo que deu "certo"... como se viver fosse tão certo. Cada cabeçada, das inúmeras que demos...
Os passeios... os instantes em que as mãos se tocavam... as tuas mãos num carinho gostoso do depois... do antes... do durante.
Do profundo prazer.
E um sentimento de que ainda há muito por fazer...
O sexo. Capítulo à parte nessa nossa história e na nossa geografia.
Sexo consentido. Com sentido. Sentido que não nasceu naquele quarto.. Veio de há muito... de muita história. De muita agonia, dor, alegria.
Contigo, aqui, compreendi a eloquência do não-dito. Daquilo que palavra, gesto, sinal algum pode expressar.
Contigo consegui algo raro.... muito raro... FELICIDADE!
Só muita intensidade e fusão de espíritos para despertar um choro de aguda cumplicidade de um ano de convivência proximamente distante. 
Fiz-me teu em carne e osso. Profundamente eu. Sem máscaras, mistérios, reservas, ressalvas. Fiz-me teu na minha imensa fragilidade. Na minha eterna carência. Eu.
Agora, resta essa letargia... deixar que a vida faça o movimento...
Sem melancolia... com muito carinho.
EU TE AMO!"

quinta-feira, 18 de março de 2010

Persona

Vim aqui te dizer que, embora já soubesse disso lá no meu íntimo, estou muito triste por constatar que não se fazem mais homens como tu.
É que me aconteceram umas coisas esquisitas nesses últimos meses....
Primeiro, sabes que eu sempre fui caçadora... definitivamente ser caça não faz o meu estilo. Mas qdo dei por mim, estava sendo caçada... e... cedi (ando numa carência infernal)... Piegas, pode dizer!
Daí... bem... sabes como sou, não consigo fazer as coisas pela metade, entrei de cabeça. Sim... lingeries... jantarzinhos... balada (essa coisa de correr riscos dá um tesão! rs)...
Isso começou faz um mês.
Ontem fiz parar antes que eu me machuque.
Não, não estou apaixonada... estou triste... pq não há retorno... não encontro eco... não sei o que os homens pensam...
Estarão assustados conosco?
Tu achas que eu assusto?
Não dá pra acompanhar a dança?
Relação não é só sexo e sexo não é só penetração... e qdo tu chegas ao ponto de ir pra cama com uma pessoa é pq estás disposto a tudo... pelo menos experimentar... estou errada?!
Estou sem prática?!
Estou por fora?!
Isso ficou 'demodé'?!
O fato d’eu ter ficado fora do mercado pelos últimos anos me fez perder alguma parte da história?!
Ou cresci e perdi as ilusões?!
Mas era tão bom desejar e acreditar que tu virias me ver montado num cavalo branco!!! E sempre foi tão bom imaginar o que teria sido sem nunca ter sido....
Mas contigo sempre foi gostoso...
Tu flertavas com a minha imaginação...
Tu eras recíproco...
O primeiro gozo foi inadiável, mas os seguintes foram curtidos desde a retirada da meia-calça...
Os biscoitinhos eram gostosos... mas os livros, as mensagens, os e-mails, também eram uma delícia!
Éramos instáveis um com o outro, mas nos entregávamos em todos os encontros...
E a paixão por ti me saciava de um jeito que eu até podia ficar sem comer... trancadinha no quarto por horas a fio... e não havia vergonha, limite ou frustração.... talvez esta sim, mas apenas por querer que pudéssemos ficar mais juntos do que nos era permitido... mas nunca porque o outro não respondia aos estímulos...
É por essas e por outras tantas que nesse momento não consigo traduzir em palavras o que senti por ti...

quarta-feira, 17 de março de 2010

Mistérios do orgasmo feminino

As mulheres têm se ocupado muito desse assunto nos últimos tempos... Diria que 90% delas sem o menor conhecimento de causa... De qualquer forma, não sou parâmetro, pois tenho uma visão bastante objetiva do assunto quando se trata do meu corpo. Quase não resisto e comento no blog da Andréa (http://wunschelrute.blogspot.com/2010/03/ponto-g-isele.html)... Poupei-a, pois achei que iria detonar com a caixa postal, embora goste muito de provocar discussões! rs
De qquer forma, repasso o texto abaixo...
Interessante, perspicaz, bem escrito e que deve ser lido ATENTAMENTE, mulherada!

Mistérios do orgasmo feminino

Mulheres podem atingir o prazer intenso por meio de grande variedade de estímulos, mas algumas têm dificuldade de experimentar a excitação e o tão almejado clímax

Cientistas de várias especialidades se ocuparam deste assunto desde sempre, a começar, é claro, pelo velho e genial Sigmund Freud, que sobre mulheres e gozo, especificamente, chegou a esta conclusão: o orgasmo clitoridiano seria precário, uma fixação na sexualidade infantil, enquanto o orgasmo vaginal estaria associado à genitalidade e maturidade psíquica da mulher. É verdade que deixou em aberto sua angústia sobre o sexo feminino, seus gozos e frustrações ou mistérios, tanto que fez a famosa pergunta: Afinal, o que querem as mulheres? As feministas não se cansam de lembrar dessa passagem de Freud. Algumas a levam tão a sério que escrevem livros tentando responder a essa questão, como a americana Erica Jong, que publicou O que querem as mulheres, na década de 90, quando estava beirando os 50 anos. A autora fez história com o célebre Medo de voar (Editora Record), sobre a liberação feminina nos anos 60.
Enquanto Freud se concentrava nos estudos do orgasmo, pesando os méritos do gozo clitoridiano versus o vaginal, quantas desconhecidas não estariam chegando ao clímax, com mais ou menos fantasias? Simplesmente porque a fisiologia feminina e o cérebro, o centro do orgasmo de ambos os gêneros, funciona de forma muito particular.
A mulher e seu corpo, há muito contraditam versões estereotipadas sobre a sexualidade e desmentem as regras ditadas por teóricos e experimentalistas sobre o assunto. Mas, finalmente, nas duas últimas décadas, pesquisadores têm confirmado que a estimulação sexual feminina pode ter caminhos diferentes. E, com ou sem parceiro, pode incrementar sua vida sexual permitindo que as sensações de seu corpo a guiem em direção a esses caminhos que trazem o prazer e, finalmente, o orgasmo.
No estudo que foi um divisor de águas na década de 60, os pesquisadores da sexualidade, Masters e Johnson, estabeleceram algumas características da reação fisiológica feminina à atividade sexual. Eles descobriram que, durante a excitação, a respiração, a pressão sangüínea e a freqüência cardíaca aumentam. O sangue flui para a vulva e o útero sobe à medida que a parte superior do balão vazio, que é a vagina, se abre. No orgasmo, toda a região pélvica se contrai, involuntariamente. Segundo os estudiosos, o clitóris, um pequeno órgão erétil próximo à parte frontal da vulva, desempenha papel central na excitação.
Na virada da década de 80 para a de 90, os cientistas identificaram outras rotas para o orgasmo, como o ponto G, uma região de sensibilidade extrema, localizada na parede frontal da vagina, a poucos centímetros da entrada. Estimular essa região poderia gerar grande excitação e até mesmo o orgasmo. Algumas mulheres ainda liberam fluido da uretra, quando estimuladas na área vaginal. Muitas sentem intenso prazer com isso, observa a sexóloga Beverly Whipple, da Universidade Rutgers. “Existem mulheres que sentiam haver algo errado com elas e se submeteram à cirurgia para impedir a expulsão do líquido. Mas essas são variações normais. O problema é que, historicamente, fomos levadas a acreditar que existia apenas uma maneira de reagir sexualmente”, afirma.
Existem outras vias no corpo feminino que levam ao orgasmo. A estimulação próxima da região vaginal oferece prazer intenso a muitas delas, e até orgasmo. Outras podem chegar ao clímax com o estímulo de partes do corpo distantes dos genitais. O bico dos seios é um desses pontos-chave, sem dúvida, a região do pescoço e a nuca também podem ser pontos de sensibilidade diferenciado, dependendo da mulher. “Existem bibliotecas cheias de material sobre o clitóris, a vagina e o ponto G, mas outras partes do nosso corpo também estão repletas de potencial erótico”, lembra a terapeuta sexual, Gina Ogden, de Cambridge, Massachusetts. “Eu não quero propor, com isso, que as mulheres que não sentem orgasmo saiam em uma excursão pelo corpo, tentando achá-lo, mas é importante saber quais são as possibilidades.”
Ogden, Whipple e o neurocientista comportamental Barry R. Komisaruk, da Rutgers, mediram mudanças fisiológicas, tais como pressão sangüínea, freqüência cardíaca e diâmetro da pupila em sete mulheres que podiam ter orgasmos com auto-estimulação genital ou apenas com alguma fantasia. Mais da metade das examinadas conseguiam alcançar por toque extragenital, mas elas são, provavelmente, raras. Ogden descobriu que algumas podiam atingi-lo sem se tocar. Os pesquisadores concluíram que ao se excitar, mesmo que com ajuda apenas do pensamento, é possível experimentar no corpo uma sensação de intenso prazer, similar à que se sentiria tocando os genitais. Estudos com a finalidade de aperfeiçoar a qualidade de vida de mulheres com traumatismo na medula espinhal sugeriram que a diversidade de orgasmos está associada também à neurobiologia básica. Mulheres com essas lesões, que em princípio apresentariam comprometimento na transmissão das mensagens dos genitais à medula, podem experimentar orgasmos com estimulação das regiões cervical, vaginal ou clitoridiana. Esses achados apontam a existência de caminhos neurológicos adicionais que levam ao orgasmo.
 
Sem orgasmo
Embora se observe essa variedade de caminhos e métodos pelos quais as mulheres podem atingir o orgasmo, muitas de fato nunca experimentaram um, enquanto outras não chegam ao clímax durante a relação sexual com o parceiro, mas podem chegar por meio da masturbação. Estudos e pesquisas sobre o funcionamento e comportamento sexual feminino, desde Masters e Johnson nos anos 60, e o Relatório Hite, dos anos 70 em diante, acumularam informação, e mesmo que seus resultados tenham sido coletados de forma imprecisa, por meio de auto-relatórios, depoimentos e estatísticas não randômicas, estabeleceram algum conhecimento. Eles estimam que 5% a 15% das mulheres sexualmente ativas nunca tiveram orgasmo. Nada estaria fundamentalmente errado com elas, do ponto de vista fisiológico. O tamanho do clitóris, sua distância da abertura vaginal, e outras variações anatômicas não têm correlação com a capacidade de ter orgasmos, diz o psicólogo social Clive M. Davis, da Universidade de Syracuse, EUA.
Muitos fatores podem comprometer a habilidade de uma mulher em alcançar o orgasmo, incluindo algumas doenças e intervenções médicas. Até dez anos atrás, por exemplo, cirurgiões faziam histerectomia, removendo o colo do útero, assim como o restante do órgão, a fim de prevenir o câncer cervical. Mas em muitas mulheres, essa região é extremamente sensível e importante para o prazer sexual. É recente a realização de histerectomias supracervicais, que mantêm o colo do útero intacto, observa Sadja Greenwood, professora da Universidade da Califórnia, em São Francisco. Algumas drogas psicoativas e anti-hipertensivas também comprometem o orgasmo, assim como disfunções hormonais. Se uma mulher é saudável, está livre de distúrbios conhecidos por obstruir o orgasmo. As razões pelas quais não consegue atingir o clímax, provavelmente têm origens emocionais ou psicossociais, observa a assistente clínica Linda P. Alperstein, de São Francisco.
 
Entrega e disfunções
Muitas mulheres sofrem de depressão, mas não se dão conta, a não ser quando o parceiro se queixa de sua falta de desejo. O transtorno disfórico pré-menstrual, a gravidez, o puerpério e a transição para a menopausa, são condições que comprometem substancialmente o desejo feminino, lembra a psiquiatra Carmita Abdo, responsável pelo Projeto Sexualidade (Prosex), do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). Ela acrescenta, porém, que 60% das disfunções sexuais femininas são de origem secundária, ou seja, são adquiridas no relacionamento, dependendo do parceiro. Baseada em pesquisas recentes sobre o comportamento sexual dos brasileiros, a psiquiatra observa que 25,8% dos homens têm queixa de ejaculação precoce e 45% apresentam algum grau de disfunção erétil.
Estudiosos da sexualidade conjeturam sobre as diferenças de expressão do desejo e excitação entre os sexos e quanto as mulheres podem influir no desenvolvimento satisfatório da relação sexual. “O homem tem duas fontes de desejo, que são a fantasia e o olhar, enquanto elas dependem do tato, da atenção, da palavra, do ouvir, para manter o interesse ao longo do ato sexual”, diz a médica, citando pesquisas da especialista canadense em sexualidade, Rose Marie Basson, que reinterpretou o ciclo de resposta sexual estabelecido pelo casal pioneiro dos estudos da sexualidade humana, Master e Johnson.
Mesmo que se sinta confortável com o parceiro, e independentemente da estimulação que funcione para ela, distrações da mente podem interferir no processo orgásmico. “As mulheres podem ficar ansiosas ou preocupadas com a duração da relação ou com seu corpo. Muitos ingredientes entram na mistura que permite a elas experimentar o prazer que leva ao orgasmo”, observou Lonnie Barbach, sexóloga americana. Não são raras as vezes em que ficam excitadas, mas têm problemas para relaxar. “O problea é que há mulheres que querem parecer a Monalisa, e não uma gárgula, quando está tendo um orgasmo, mas essa preocupação em se manter no controle pode atrapalhar”, observa Alperstein. “Na maior parte do tempo, tentamos lutar contra a entrega.”
Raiva, fadiga, stress e depressão interferem particularmente no orgasmo. Traumas anteriores, tais como estupro ou abuso sexual, também impõem barreiras. “Um bom funcionamento sexual não é atestado de boa saúde mental, e funcionamento sexual problemático não é atestado de problemas emocionais”, diz Alperstein. “Você pode ter problemas para obter orgasmo, que não são psicológicos ou emocionais”. Algumas mulheres precisam de terapia para lidar com as questões fundamentais que as impedem de experimentar o clímax, enquanto outras podem beneficiar-se de informação educacional e da prática, sustenta Barbach.
Para a maioria, a chave está em reconhecer que seu corpo é o melhor professor. “A melhor maneira para ter um orgasmo é aprendendo sobre seu corpo por meio da masturbação”, diz a sexóloga Betty Dodson, de Nova York. “Uma vez encontrado o que funciona para ela, pode compartilhar essa informação com seu parceiro.” Essa abordagem ostenta altos índices de satisfação. “A idéia é focar no prazer, não em conseguir o orgasmo”, conclui Barbach.
 
Estado de frenesi
Durante experiência em laboratório, o neurocientista Jim Pfaus, da Universidade Concórdia de Montreal, no Canadá, administrou experimentalmente, o afrodisíaco sintético bremelanotide ou PT-141 em ratas. Normalmente contidas, sob o efeito desse composto, elas corriam até os pasmos machinhos e os provocavam com caretas esquisitas e toques de vibrissas nos focinhos deles. Se o macho não respondia às investidas, a performance da rata aumentava em ritmo e em intensidade. Se ainda assim ele persistia plantado no lugar, a rata sapecava-lhe um tapa no focinho. A estratégia dava certo. O macho disparava atrás dela e a satisfazia pela cópula.

Saiba mais:
Descobrimento sexual do Brasil. Carmita Abdo. Summus Editorial, São Paulo, 2004.
Amor e orgasmo: guia revolucionário para a plena realização. Alexande Lowen. Summus/ Agora, Rio de Janeiro, 1991.

(Disponível em: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/misterios_do_orgasmo_feminino_5.html, acesso em 17.03.10)
Não te importava o meu prazer, apenas o teu.
Não ligavas para o meu tesão, a minha urgência...
A lista de prioridades era imensa!
Então por que te desejei tanto?
Tédio, carência, monotonia, falta do que fazer, obsessão, ou saber que era, naqueles momentos, quem te dava prazer?
Talvez as mulheres acalentem um desejo secreto de transformar o homem.
Alguns nem se deixam tocar... outros não se permitem mudar... outros ainda sequer se apercebem...
Em qual categoria te encaixas?
Schhhhhhhhhhh!
Pergunta retórica... Eu sei.
Algumas sabem fazê-lo... outras nem se dão conta do que gostam ou não... outras, ainda, modificam tanto que acabam estranhando o que fizeram... e fogem...
Mas isso não faz o meu tipo...
Definitivamente.
Discutir, ponderar, questionar, até cabe... no mais...
To fora!

F

No silêncio do quarto, a intimidade.
Falamos de amor, sentimento e compreensão com uma tranquilidade que nunca havia experimentado...
Até porque sou do tipo de mulher que cala... elabora... depois, talvez, se achar coerente, escreve.
Tentes me entender, porque me encontrei nos mesmos sentimentos que tu, no mesmo grau de compreensão, com o mesmo anelo, tímida e agora sudosa...
Talvez porque me descobriste da forma mais delicada que já experimentei...
Também te descobri no jeito, na eloquência dos silêncios, nas entrelinhas, mas isso já não importa... 
Falas de amor de um jeito que me toca.
E eu adoraria ser no amor a tua resposta.
Sei que querias as minhas palavras, as minhas lágrimas... me ver ultrapassar todas as barreiras... estar febril, sedenta, ansiosa, ultrapassando meus próprios limites... mas eu sabia que não seria capaz.
Espero ser... um dia... por tudo o que ainda podemos dividir, pelo tempo que serei privada do teu cheiro, do teu abraço... porque andaremos distantes um do outro, sem saber o que realmente acontece na ausência. E pela nossa falta de fé.  Pela resistência à solidão. No apego, na acomodação. Seremos eternos responsáveis pelo rumo que irá tomar.
Contudo, quero que saibas que te amei com todas as minhas forças, no breve tempo em que nos foi permitido.
A verdade é que não precisava explicar essas vontades.
Queria um pouco de intimidade, mas sem parecer vulnerável demais.
Não é um discurso amoroso, já que ele seguia o tipo indomesticável cuja premissa básica era o simples desejo, a extremação dos sentidos, o incandescente caminho sem volta que refugia completamente à lógica.
A verdade é que não queria explicar essas vontades, desafiava-o a se perder em outras bocas, novos corpos, outros cheiros, nos toques de outras mãos.
Pois no fundo queria mesmo apenas um pouco de intimidade...

Por que escrevo?!

"Por que escrevo?
... Escrevo para ser feliz. Bartheanamente, para ter prazer. Sabor do saber. Tanto que, uma vez publicado, o texto já não me pertence. É como um filho que atingiu a maturidade a saiu de casa. Já não tenho domínio sobre ele. Ao contrário, são os leitores que passam a ter domínio sobre o autor. Nesse sentido, toda escritura é uma oblação, algo que se oferta aos outros. Oferenda narcísica de quem busca superar a devastação da morte. O texto eterniza o seu autor.
Escrevo também para sublimar minha pulsão e dar forma e voz à babel que me povoa interiormente. A literatura é o avesso da psicanálise. Quem vai ao divã é o leitor-analista. Deitado ou recostado, ouve nossas confidências, decifra nossos sonhos, desenha nosso perfil, apreende nossos anjos e demônios. Por isso, assim como os psicanalistas evitam relações de amizade com seus pacientes, prefiro manter-me distante dos leitores. Não sou a obra que faço. Ela é melhor e maior do que eu. No entanto, revela-me com uma transparência que jamais alcanço na conversa pessoal. Tenho medo do olhar canibal dos leitores, como se a minha pessoa pudesse corresponder às fantasias que forjam a partir da leitura de meus textos. Tenho
medo também de minha própria fragilidade.
O texto tece o tecido de minha couraça. Com ele me visto, nele me abrigo e agasalho. é o meu ninho encantado. Privilegiado belvedere do qual contemplo o mundo. Dali posso ajustar as lentes do código alfabético para falar de religião e política, de arte e ciências, de amor e dor. Recrio o mundo. Por isso,
escrever exige certo distanciamento.
"... Ainda assim, prossigo me perguntando: por que escrevo? E tenho ânsias de confessar que, no fundo, é para impedir que se cure a loucura que, por trás dessa aparente normalidade, faz de mim um homem embriagadoramente alucinado."
(Frei Betto - Caros Amigos set./2002)

quarta-feira, 10 de março de 2010

Auto-ajuda

 
"E daíííí´, o Sol 'mimiu'...
Tá escuro, ó!
Não tem problema, Eduarda,
tem a Lua e as estrelinhas!"

sábado, 6 de março de 2010

 

O que faz você feliz?!

Lindos!

Carol, Scheiloca, olhem os nossos "babies" aí!
Podem babar! rs
(a Duda aparece lá nos 06:38)