sexta-feira, 19 de março de 2010

Andréa

Cá estás tu me provocando a falar sobre orgasmo...
Vamos lá.
Primeiro, vale dizer: feliz da mulher que teve seu primeiro orgasmo sozinha! Porque a busca (e o encontro) do prazer é solitário como o é tudo o mais nessa vida. Se não conseguimos ser felizes sozinhos, nos sentirmos completos sozinhos, estar satisfeitos sozinhos, como exigir que outro o faça por nós?
Somos responsáveis pelo rumo das nossas vidas... estamos condenados a escolher... e isso redunda em fracassos e êxitos com os quais precisamos aprender a lidar.
É difícil, eu sei... mas a vida não espera o aprendizado, ele vem com ela.
Sem querer divagar sobre questões de ordem fisiológica, sempre tive ideias bem praticas sobre o assunto. Quem não conhece o próprio corpo, dificilmente desfrutará de um. Até para os homens, que associam o orgasmo à ejaculação, as coisas não são tão simples assim, pois já li relatos de que a simples ejaculação não significa exatamente a obtenção do prazer máximo.
Considerem a minha ascendência gêrmanica, de onde herdei a objetividade no falar. Com isso sempre classifiquei, diante das minhas próprias sensações - pois possuo apenas um corpo - dois tipos fundamentais de prazeres carnais relacionados ao sexo: gozo e orgasmo.
O primeiro pode ser sentido várias vezes durante uma relação sexual, com carícias, determinadas práticas ou posições... esgota cada uma delas e isso significa que chegou a hora de virar de lado, mudar de posição, tentar novo ângulo...
O segundo é o auge... o clímax... a sensação de uma descarga elétrica pelo corpo... iniciando pela região vaginal/anal e se espalhando em ondas, como uma pedrinha que cai n'água... Tem intensidades diferentes dependendo de quem é a companhia (ou se não há companhia); de por onde anda a cabeça naquele momento; da quantidade de desejo e/ou sentimento; se se tenta adiar ou se deixa fluir...
Pode ser 'sofrido', um alívio, uma explosão... mas sempre é esperado, pois não ocorre sem empenho, dedicação, concentração...
Podem ocorrer alguns numa mesma relação, embora cause um cansaço que talvez se assemelhe ao do homem... é preciso parar um pouco, descansar, cochilar...
Podem ser múltiplos, de serem um seguido do outro, ou porque há dois estímulos simultâneos...
Pode ser poderoso a ponto de provocar uma abundante produção de fluídos, ou tranquilo como uma marolinha na beira do mar... Ainda há dias em que é buscado com determinação; outros em que tanto faz... talvez porque estejamos muito longe dali, ou mais interessadas em descobrir o parceiro e lhe proporcionar mais prazer... com o que geralmente se tem retorno...
Nunca o encarei como uma obrigação... nem para comigo mesma, nem para com o parceiro no sentido de exigir-lhe uma 'atitude'... a responsabilidade não é do homem, embora um homem preocupado com o prazer da mulher seja maravilhoso e o que se empenha com voracidade sempre colha bons frutos...
Também sempre achei o sexo uma coisa maravilhosa... excitante, lúdica, emocionante, lúbrica, deliciosa, sacana, sem fronteiras... cria intimidade, cumplicidade... tantas vezes urgente!
E se consentido, entre quatro paredes vale tudo, definitivamente (e entre adultos cientes do que estão fazendo, obviamente).
A pergunta que não me saía da cabeça era: mas porque um orgasmo dura tão pouco?! E acabei concluindo que o Criador, na Sua inteligência suprema, não o fez durar muito porque jamais iríamos querer sair desse estado de plenitude, e nos tornaríamos escravos do vício... Então fez com que durasse apenas poucos segundos para que sempre queiramos mais, sem que nos deixemos escravizar pelos sentidos...

2 comentários:

  1. Adorei o post! Muito verdadeiro e inteligentemente articulado.
    Abraços, Joana

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  2. Oi, Joana! Obrigada! Bem-vinda! Beijos!

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