sábado, 1 de outubro de 2011

Sobre o show de Maria Bethânia!

Se me perguntassem quais os maiores intérpretes da MPB, ainda vivos, hoje, diria sem titubear: Ney Matogrosso e Maria Bethânia.
Talvez porque sejam da voz deles minhas memórias musicais mais remotas, ainda da infância.
AMO o timbre de voz, a interpretação/encenação e o carisma de ambos!

Bem, como vocês sabem, ontem fui ao show da Maria Bethânia.
Sem dúvida, um dos espetáculos mais emocionantes que já tive a oportunidade de presenciar!
Chegou, pediu licença e, acompanhada do percucionista Carlos César e do maestro e violonista Jaime Alem, deu início à combinação de poemas declamados e cantados.
Como filha de Iansã, fiquei arrepiada com a primeira invocação!

A forma como ela amarra os poemas às músicas nesse espetáculo, é especial! Como se fossem capítulos do show, um tratava do sertão, dos rios da nossa terra (com Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Caetano); outro do que vai de mais íntimo em nós (citando Pessoa, Clarice, Ferreira Gullar); depois, da fé pelo Menino Jesus e Sua Mãe Maria (declamando poemas de Fernando Pessoa, Drummond)... enfim, do humano e do divino com uma delicadeza e sensibilidade ímpares! Sem falar no sincretismo religioso tipicamente brasileiro!
Como música também é poesia, mesclavam-se às leituras: ABC do Sertão, Romaria, Último Pau de Arara, Estranha Forma De Vida, Marinheiro Só, Dança da Solidão, Menino de Jaçanã.

E a interpretação... Encantadora! Até na rima rica de Drummond ela consegue sair do "lugar comum"...
A simpatia e o carisma, são um capítulo a parte...
O engajamento, ao falar da necessidade das escolas públicas, da valorização do professor, da importância da leitura!
De pés descalços, sorriso constante e de uma generosidade contagiante, no final ainda cumprimentou pessoalmente o público que já se aglomerava pertinho do palco.
Uma pena ter sido única apresentação!

(Sinto falta de bons espetáculos, grandes artistas, boas músicas, criatividade em todos os aspectos culturais, enfim... hoje já não surgem mais nomes de relevo, principalmente na MPB... e fiquei feliz quando ela disse que é de uma época em que se compartilhavam emoções, sensações e pensamentos, o que não acontece mais... pois constatei que, apesar dessa vida louca, estressante e competitiva que vivemos, ainda conseguimos dividir, nesse pequeno espaço aqui, muitas coisas bonitas, tocantes, boas, criativas, engraçadas e, acima de tudo, inteligentes! Que consigamos persistir e passar isso adiante por muito tempo ainda!)
Disseste que desperto em ti tudo o que há de melhor...
assim...
como se tivéssemos nos visto ontem.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Bethânia, para começar bem o finde!

Maria Bethânia e as Palavras, 30/09/11
Teatro Pedro Ivo em Florianópolis/SC


Maria Bethânia tem uma relação íntima com as palavras. Em seus shows, costuma pontilhar poesias entre as canções. A escritora portuguesa Maria Gabriela Llansol afirmava que Bethânia era uma “cantora de leitura”. Diante dessa relação especial com as letras, ela se prepara para um espetáculo diferente. Bethânia e as Palavras, sucesso absoluto de público e crítica, chega finalmente a Florianópolis no dia 30 de setembro, para apresentação única no Teatro Pedro Ivo Campos.
Acompanhada pelo violonista Luiz Brasil, pelo percussionista Carlos César e pelo maestro Jaime Alem, Bethânia vai recitar poemas e fragmentos de textos de autores como Fernando Pessoa, Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, Sophia de Mello, Fausto Fawcett, Clarice Lispector, Wally Salomão, Arnaldo Antunes, entre outros. E como música também é poesia, ela apresenta ABC do Sertão (Luiz Gonzaga), Romaria (Renato Teixeira), Último Pau de Arara (J.Guimarães/Venâncio/Corumbá), Estranha Forma De Vida (Amália Rodrigues), Marinheiro Só (domínio público/adaptação Caetano Veloso), Dança da Solidão (Paulinho da Viola), Menino de Jaçanã (Luis Vieira/Arnaldo Passos), Comida (Titãs), Trenzinho Caipira (Villa Lobos), Os argonautas (Caetano Veloso), Amor de índio (Beto Guedes), Língua (Caetano Veloso), João Valentão (Dorival Caymmi), entre outras.
Definitivamente não é sempre que vemos num mesmo espetáculo um desfile de imortais como Fernando Pessoa, Guimarães Rosa, Carlos Drumond de Andrade, Capinam, Villa Lobos, Ferreira Gullar, Amália Rodrigues, Manuel Bandeira, Chico, Caetano, Renato Teixeira, e tantos outros. Dividido em “temas”, se é que se pode chamar assim, o ritual inicia com uma invocação a Iansã, deusa dos raios, ventos e tempestades. Com força e gentileza, a dona da casa nos convida a penetrar no mundo mágico das palavras, da escrita." (do site http://www.blueticket.com.br/).

Não perderia por nada nesse mundo!
Depois venho contar tudo a vcs!

Guerra e amor

"[...] amar é um combate de relâmpagos e dois corpos
por um só mel derrotados.
Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em delícia
corre pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão na sombra de um raio."

quinta-feira, 29 de setembro de 2011


Depois de ter se declarado ao homem que dizia amá-la há tanto tempo, ouviu dele um definitivo:
- Agora está na hora de pensares no que realmente importa.
Calou-se.
Depois de um sofrido e demorado beijo, ele finalmente se foi.
Quando fechou a porta, ligou o cd no volume mais alto que pôde, na tentativa de não ouvir os próprios pensamentos... e deixou-se ficar no sofá, inerte, por um longo tempo...

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Tô de bem!

"Tô me afastando de tudo que me atrasa, me engana, me segura e me retém. Tô me aproximando de tudo que me faz completo, me faz feliz e que me quer bem. Tô aproveitando tudo de bom que essa nossa vida tem. Tô me dedicando de verdade pra agradar um outro alguém. Tô trazendo pra perto de mim quem eu gosto e quem gosta de mim também. Ultimamente eu só tô querendo ver o bom que todo mundo tem. Relaxa, respira, se irritar é bom pra quem? Supera, suporta, entenda: isento de problemas eu não conheço ninguém. Queira viver, viver melhor, viver sorrindo e até os cem. Tô feliz, tô despreocupado, com a vida eu tô de bem."

terça-feira, 27 de setembro de 2011

...

"banho tomado
pra tirar seu cheiro.
telefone desligado
pra não ouvir sua voz.
lençóis trocados
pra não sobrar fios de cabelo.
flanela nos móveis
pra apagar suas digitais.
portas trancadas.
cortinas fechadas.
luzes apagadas.
e você, merda,
no meu pensamento."
Acabaram irremediavelmente presos
pelos mecanismos engendrados por si mesmos
para a manutenção do conhecido conforto
- que virara inferno -
da paixão doentia
que nutriam um pelo outro.

Teorias Selvagens

"Olha friamente para mim, com a intenção de me atravessar. Sabe que não pode abaixar muito os olhos porque meu decote o espreita: se chego a captar seu olhar ali, titubeando na frente do precipício, minha suficiência desarmaria a qualidade lacerante que pretende imprimir a esse silêncio de adesivo onde sua cara fica presa como um bicho, nua.
[...]
A autoconsciência o trai.
[...]
Esses vaivéns são essenciais ao plano. Devo provocá-lo para que a fúria e a fascinação o deixem absolutamente cego e não consiga pensar. Então meus pensamentos se derramarão pelos buracos sintéticos do que se supõe ser a sua vontade, e não haverá salvação. Não poderá escapar.
[...]
Se seu oponente tem um temperamento colérico, tente irritá-lo. Se é arrogante, fomente seu narcisismo. Se se equivoca, não o interrompa. Precisa vir para cima de mim e eu, me encolher e resistir."

(em As Teorias Selvagens, p. 118)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Viagem

"As pessoas olham a dança, outras nem olham, algumas batem palmas - é tudo tão natural -, e é assim em toda a cidade. É como se baixasse nas sevilhanas uma alma de cigana; elas se dobram ao apelo da música e são compelidas a dançar, levadas por uma força maior. Não se assuste se vir uma mulher dançando em cima de uma mesa; e também não se assute se você mesma de repente estiver dançando em cima do balcão do bar. Tudo pela alegria, sem medo do ridículo."
(em Fazendo as Malas, p. 22).

Pelo jeito toda a Espanha é impregnada dessa atmosfera de precisa combinação entre sensualidade e felicidade. Viva nossa herança latina!
Hoje, particularmente, com uma saudade enorme de viajar...

domingo, 25 de setembro de 2011

Quereres

"Eu quero inteiro!
E não pela metade..."

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Nosso amor...

"Nosso amor nunca foi sessão da tarde. Nunca foi beijo rápido em degrau de escada rolante.
Nunca foi.
Nosso amor, lembra?
Nunca foi sorvete em dia quente. Gelo chupado no fim da bebida.
Nunca foi grito em queda de montanha russa. Nem música preferida no repeat do aparelho de som. Nosso amor nunca foi brigadeiro roubado. Dedo enfiado no bolo. Champanhe estourada molhando a mão. Nosso amor nunca foi primeira página de livro. Comédia romântica em cinema à tarde. Bocas grudadas em fim de filme. Créditos subindo depois de final feliz.

Nosso amor nunca foi o andar rápido depois do tropeço.
Só o avesso.
Nunca foi abraço apertado demais. Nem beijo demorado demais. Nunca foi nada de mais. Pedalada em parque vazio.
Vento no rosto. Cabelo pra trás.
Nunca foi.
Nunca foi pé direito até o último no acelerador. Viagem sem volta.
Praia vazia em dia de semana. Nunca foi notícia esperada. Quilo a menos na balança. Foto em preto e branco. Escultura de Rodin.
Nosso amor nunca teve tanta graça. Nunca foi
adrenalina. Serotonina. Nunca foi banho gelado de cachoeira.
Nosso amor sempre foi uma bobeira.

E foi ontem.
Sozinho.
Com o travesseiro sobrando ao meu lado.
Com o espaço a mais na cama, que eu confessei.
Foi bem baixo.
Quase num respiro. Num cochicho. Quase num suspiro.
Nosso amor me faz falta, eu disse.
E eu só queria ele de volta.
Com graça ou sem graça.
Mas, agora."

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

"Sua experiência matrimonial deixara-o desconfiado do envolvimento profundo com mulhereres, porém ainda ansiava pela companhia feminina e preferia pensar que todas as noites, em Nova York, havia muitas mulheres atraentes que eram tão solitárias quanto ele e estavam disponíveis de graça, desde que ele soubesse onde encontrá-las."
(em A Mulher do Próximo, p. 210)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Blue Valentine

"Ela não queria confessar a ele que ainda gostava dessas pessoas que pareciam gostar dela. Ele tocou em sua bochecha com carinho. O coração dela batia tão forte que ele conseguia ouvir. Ele afastou os cabelos dela. O toque de seus dedos transmitia a ela ondas de confiança. Ele ia beijá-la. Era o que ela queria. Então, por que ela sentia que estava num precipício, pronta para cair? Os lábios dele tocaram os dela e ela parou de pensar. Só sentia. Sentia a doçura de seu beijo, a força de seus braços e o coração batendo em sua mão quando ele a segurou. Havia um precipício e ela estava caindo. De cabeça, caindo de amores por ele."
 (do excelente filme Blue Valentine - recomendadíssimo!!!)

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Dos pequenos gestos

"Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve…"