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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Teorias Selvagens

"Olha friamente para mim, com a intenção de me atravessar. Sabe que não pode abaixar muito os olhos porque meu decote o espreita: se chego a captar seu olhar ali, titubeando na frente do precipício, minha suficiência desarmaria a qualidade lacerante que pretende imprimir a esse silêncio de adesivo onde sua cara fica presa como um bicho, nua.
[...]
A autoconsciência o trai.
[...]
Esses vaivéns são essenciais ao plano. Devo provocá-lo para que a fúria e a fascinação o deixem absolutamente cego e não consiga pensar. Então meus pensamentos se derramarão pelos buracos sintéticos do que se supõe ser a sua vontade, e não haverá salvação. Não poderá escapar.
[...]
Se seu oponente tem um temperamento colérico, tente irritá-lo. Se é arrogante, fomente seu narcisismo. Se se equivoca, não o interrompa. Precisa vir para cima de mim e eu, me encolher e resistir."

(em As Teorias Selvagens, p. 118)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Um ex-provável futuro, talvez...

"Sua escolha de carreira e seu caráter retraído não fomentavam as relações com garotas; na faculdade só tinha conhecido duas, e não podia assegurar que reunissem méritos suficientes para ganhar a denominação 'garotas'; tinham o estilo de baixinha amorfa que depois herdaria sua filha. Logo se tornaria evidente que o destino e a opção intelectual tinham feito de Rodolfo um elemento forçosamente fiel, monogâmico e heterossexual. Era natural, então, que, assim que a Providência o aproximasse de uma mulher (uma pertencente ao conjunto 'garotas'), Rodolfo se aferrasse a ela como certos moluscos nadadores viajam pelo oceano, até que cravam seu apêndice muscular no sedimento como um machado, cuja concha ou manto tem a faculdade de segregar camadas de cálcio ao redor da película mucosa que o lubrifica; ao fim de um tempo esta se rompe e o molusco volta a ficar à deriva, que varia entre o oceano e a morte."
(em As Teorias Selvagens, p. 12)

domingo, 20 de março de 2011

"Pues tu teoría se queda incompleta sin mí."