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domingo, 2 de outubro de 2011

Eu quero fazer com você um pacto de delicadeza!

"'Vivo clandestina e não é mole essa vida clandestina.
Mas posso me orgulhar da qualidade da minha pele
e da temperatura do meu beijo.
Eu quero fazer com você um pacto de delicadeza.
Eu quero me sentir Alteza,
para te ceder todos os músculos,
ser arbusto dos seus beijos.
Vamos sair esburacando a madrugada
trocando beijos e tragadas.
A lua é uma lantejoula da Nasa
que brilha leitosa no meu vestido estrelado.'

Esse poema dos anos 70, 80, é do Fausto Fawcett. Nessa época, apesar da Ditadura Militar, dos exílios, da censura, havia um prazer de compartilhar o que nos comovesse. Não pensávamos em reconhecimento, valores, temores e rigores, nada... apenas o desejo e o prazer de compartilhar. Como agora.
A cada leitura escolho autores diferentes, textos, livros, loucos, belos...

'Eu gosto dos venenos mais lentos,
das bebidas mais amargas.
Eu tenho um apetite voraz
Eu sonho os delírios mais soltos,
os desejos mais loucos.
Você pode me empurrar para o precipício
que eu não me importo
Eu adoro voar!'
(esse de Clarice Lispector)."

(trecho do show Bethânia e as Palavras, que assisti em 30 de setembro de 2011,
no Teatro Pedro Ivo, em Florianópolis/SC)

Não é divino o "eu quero fazer com você um pacto de delicadeza"?!
Quantas pessoas ainda conseguem fazer e cumprir um pacto desses
 de corpo e alma?!