"Me deixe respirar, por longo, longo tempo, o cheiro dos seus cabelos, neles mergulhar todo o meu rosto, como um homem sedento na água de uma fonte, e agitá-los com minha mão como a um lenço cheiroso, para sacudir lembranças no ar.
Se você pudesse saber tudo que vejo! Tudo o que sinto! Tudo o que ouço em seus cabelos! Minha alma viaja por sobre o perfume como a lama dos outros homens por sobre a música.
Seus cabelos contêm todo um sonho, repleto de velas e mastros; contêm grandes mares cujas monções me levam a encantadoras regiões, onde o espaço émais azul e mais profundo, onde a atmosfera é perfumada pelas frutas, pelas folhas, e pela pele humana [...]"
(Em Pequenos Poemas em Prosa, p. 85)






