domingo, 8 de agosto de 2010

E daí que acaba?

"Não aguento mais ouvir uma voz feminina afirmar com amargura e rancor que não quer mais se casar. As muitas seguidoras de Paulo Mendes Campos acreditam que, se o amor acaba, para que começar outro.
São aquelas que se casaram de branco, no dia mais feliz de suas vidas, apaixonadas e entregues, mas que depois enfrentaram a ira de um ciumento, as neuras de um obcecado, as fraquezas de um viciado, se envolveram com famílias alheias intolerantes, conheceram a frigidez na rotina, a traição injusta seguida pelas mentiras incabíveis, e decidiram pôr um fim no sonho de eternizar aquele instante em que tudo parecia fazer sentido, as estrelas estavam próximas, em que nasceram um para o outro e morreriam grudados, na alegria e na doença.
Aquelas que já passaram por um ou dois casamentos e mergulharam no tombo da separação, em que a decepção troca de lugar com o amor, e o futuro vira pó.
Eu não aguento mais replicar: "Se o amor nos enlouquece, imagine a loucura que é ficar sem ele."
Para aquelas que dizem não acreditar mais no amor, proponho então experimentarem outros e apostarem nesse bilhete só de ida.
Uma noite de prazer acaba. Um banquete acaba. Uma viagem inesquecível acaba. O fim de semana na ilha paradisíaca, um campeonato, o dia, o ano, o gozo, um livro, um disco, um banho de banheira acabam. Não por isso, evitamos outros.
Ah, foi o dia internacional delas, que amamos tanto, que nos deram à luz, intuição, formas alternativas de pensar, mostraram detalhes que passavam despercebidos, exigiram atenção, dedicação, carinho, nos fizeram ser românticos, abafar a vergonha e nos inspiraram música, poesia, até guerras.
Mas sua descrença com os novos tempos e o velho homem nos deixa desesperados, órfãos. Nostradamus previu isso? Está escrito nos céus?
Se vocês não acreditam mais, quem acreditará? Lembrem-se de Nietzsche, que nos últimos dias numa vila italiana, com o calor na pele, viu alegria no niilismo e esperança no desamparo: "Cada passo mínimo dado no campo do pensamento livre, da vida moldada no seu formato pessoal, foi desde sempre conquistado com martírios espirituais ou corporais."
Trégua. Que venham os clichês. Cá está o ombro para o choro da mudança de humor inexplicável e inesperada. Quer que eu apague a luz na enxaqueca? Explico com toda a paciência a regra do impedimento, quem joga contra quem, e o que significa aquele quadro no alto da tela, em que três letras, COR, vencem por 2 X 1 as três letras PAL.
Fique na cama na TPM. Trarei uma bolsa de água quente e o jantar. Sim, vamos comprar sapatos. Eu espero. Levo um livro, enquanto você experimenta a loja.
Adorei a cor do esmalte, o corte do cabelo. Batom vermelho te deixa mais bonita. Não, a calcinha não está marcando. Ah, põe o tubinho preto, se bem que gosto quando você coloca aquele vestidinho colorido. Não, o sutiã não está aparecendo.
Eu ligo para o despachante, faço um rodízio nos pneus, troco a bateria, reconfiguro seu computador, mando lavar o tapete, o forro do sofá, também adoro ele com almofadas indianas em cima.
Cuido de você na velhice, não te trocarei por uma adolescente que cheira a tutti frutti, nem pela secretária vulgar da firma, amarei a sua pele um pouco mais flácida, seus seios naturalmente instáveis, seu corpo maduro, seus joelhos frágeis. E tomaremos vinho tinto todas as noites. Prefere branco? Que celulite?
Porém, a maioria de vocês conhece agora as teclas atalhos, a pressão nos pneus, sabem chamar o seguro, para uma pane elétrica, e que carrinho por trás dá cartão vermelho. Tornam-se independentes.
Pesquisa da Serasa Experian até mostrou que as mulheres são a maioria entre os mais ricos do País - segundo o estudo, cerca de 4,9 milhões de mulheres e 4,7 milhões de homens participam do grupo dos mais prósperos do Brasil, as classes A e B, e que as mulheres "ricas" somam cerca de 1 milhão, e 611 mil mulheres são executivas bem-sucedidas.
Foi uma semana cheia de dados e números sobre elas, vocês. E nós. Último censo do IBGE: o número de divórcios triplicou, enquanto o de casamentos formais, de papel passado, caiu 12%.
O amor se tornou líquido, não é, Zygmunt Bauman? "Se hoje vivemos em redes virtuais, que aproximam e afastam as pessoas, somos capazes de manter laços fortes e relações verticais?", pergunta.
Eu entendi, deixamos de preservar o passado e começamos a viver um presente perpétuo, a era do hedonismo e consumo desenfreado, vazio difícil de saciar.
Desistimos da sede pelo amor? Não, mulher não é o apêndice do homem, mas a fonte original da vida e a nossa razão de ser. Não nos deixem desamparados. E aprendam com as nossas fraquezas e com todos os erros.
Amar ainda é a única maneira de convivermos com a sua delicadeza e alimentar nossa vocação de proteger e cuidar. Não façam do homem uma noite sem vento, um mundo sem gravidade. Parecemos tolos e infantis, controladores e insensíveis. Mas as amamos tanto..."

sábado, 7 de agosto de 2010

Frida Kahlo e Diego Rivera

Livro traz fotos de Frida Kahlo que permaneceram inéditas por 50 anos


Quando o artista Diego Rivera morreu, em 1957, deixou o pedido que seus arquivos e os de sua mulher, Frida Kahlo, continuassem fechados pelos próximos 15 anos.
Sua testamenteira, zelosa demais, acabou estendendo esse prazo. E só agora é rompido um longo silêncio em torno da intimidade de dois mitos da arte do século 20.
Um livro recém-lançado pela Cosac Naify faz uma seleção das fotografias que Frida Kahlo juntou em vida, seu arquivo pessoal de imagens que ficou escondido num dos banheiros da célebre Casa Azul, na Cidade do México.
Nessas 400 fotografias, estão autorretratos de seu pai, o fotógrafo Guillermo Kahlo, imagens da artista em festas e no hospital e lembranças de seus amantes e desafetos –uns com marcas de batom de seus lábios, outros rasgados ou dobrados ao meio.
Uma fenda no papel fotográfico, feita por ela, separa sua figura de Lupe Marín, a mulher que Rivera deixou para viver o romance mais intenso e mais conturbado de sua vida, ao lado de Kahlo.
Também estão lá os recortes de livros de ginecologia que a artista usou em seus quadros, um gato preto que aparece na tela “Autorretrato com Espinhos e Colibri”, o menino morto de “O Defuntinho Dimas Rosas”, a imagem de Stálin de “Frida e Stálin”.
É um arquivo de imagens que denuncia a proximidade de Kahlo com a fotografia. Além de ajudar o pai no laboratório, retocando negativos, ela conheceu e foi retratada por grandes nomes da época.
Nickolas Muray, da “Vanity Fair”, fotografou a artista trabalhando, ainda presa à cama de hospital depois do acidente de bonde que destruiu sua coluna. Edward Weston e Pierre Verger também passaram por sua vida.
Nas poucas fotos assinadas por Kahlo, aparecem com força essas influências modernas. Numa natureza-morta, ela junta uma boneca de pano a um cavalinho de madeira, alusão à batalha que travou na mesa de cirurgia em sucessivas operações para reconstruir seu corpo.
Esse sofrimento virou a marca de Kahlo. Em seus retratos, transborda do olhar uma melancolia robusta, a mesma dor transformada em latência formal nas telas.
Em vida, e diante da câmera, Kahlo posou como a imagem que plasmou de si, indissociável do próprio mito.
“Sabia que o campo de batalha do sofrimento se refletia em meus olhos”, escreveu a artista numa carta. “Desde então, comecei a olhar para a lente, sem piscar, sem sorrir, decidida a mostrar que seria uma lutadora até o final.”
KAHLO E SEU DUPLO
Numa biografia de Rivera e Kahlo, livro recém-lançado pela Record escrito por J.M.G. Le Clézio, está a mesma constatação. “Frida jamais se separará de seu duplo”, escreve o vencedor do Nobel.
“A enfermidade progressiva e o fechamento na solidão da dor transformaram o sonho da criança em fantasma, e deram valor quase mítico à outra ela mesma que escruta infinitamente no espelho.”

FRIDA KAHLO: SUAS FOTOS
AUTOR: Pablo Ortiz Monasterio
TRADUÇÃO: Gênese Andrade e Otacílio Nunes
EDITORA: Cosac Naify
QUANTO: R$ 120 (524 págs.)

DIEGO E FRIDA
AUTOR: J.M.G. Le Clézio
TRADUÇÃO: Véra Lucia Dias
EDITORA: Record
QUANTO: R$ 39,90 (240 págs.)

Furtei lá da Karol

Duo

"Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui.
Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade."
(Frida Kahlo)

Cena de cinema

Ela: Já tiveste a sensação de que consegues nos ver de fora? Como num filme?
Ele: Sim!
Ela: Tens noção de como isso é raro?!
Ele: Não, não tenho... Foi por isso que disse que te vejo, e a mim, como personagem duma história...
Ela: Isso só me acontece quando penso em ti... mas não me sinto personagem de uma história; me sinto protagonista da minha própria vida.

A garota e os caras

"Ela era feliz adoidado. Seus vestidos, floridos, soltos, seu sorriso, bonito, seu corpo, lindo como poucos, seu desejo, excessivo, tenso, tesão intenso, ela queria sempre, sempre, queria amar todos os homens, gostava de homem, gostava de tudo neles, de quase tudo, gosta ainda: de barba, do cheiro, de ombros largos, gosta de peito com pêlos, de pernas longas, gosta de alisar, esfregar, arranhar, lamber e beijar. Gosta de gostar, porque muitas delas se atrapalham, com medo de se entregar. Mas ela, não. Adora se dar, adora se excitar e excitar.

Com o cara 1, ela foi pra cama no primeiro dia. Ele se jogou, ela lhe beijou, ele tirou a camisa, ela tirou seu vestido, ele olhou seu corpo, que lindo, disse, e ela adorou o elogio, tira tudo, ele disse, ela adiou, ficou de calcinha e sutiã, mas mergulhou nele, pegou nele, que lindo, ela disse, como ele é lindo, repetiu, examinou, tocou, beijou, chupou, e o cara disse, tira tudo, ela, calma, esfregou-se, amassou, rolou, subiu, tira tudo, calma, chupou, lambeu, apertou, tira, tá, ela tirou, e se comeram, trocaram tudo, totalmente.
Mas ele não ligou depois. Nem depois. Nenhum e-mail. Sumiu. Nunca mais ouviu falar dele. Que pena. Era o pau mais bonito da cidade. Que droga! O que fiz de errado dessa vez?

Com o cara 2, ela nem esperou chegar em casa. Agarrou-o já no carro. Pulou nele quando estacionaram. Subiu, beijou-lhe, mordeu seu pescoço, lambeu sua orelha, sentiu ele se excitar, tirou a sua camisa, beijou seus ombros, seu peito, seus braços, suas mãos, suas costas, ele estava duro, ela tirou a calça dele e seu vestido num gesto único e nem esperou ele dizer, tirou a calcinha e o sutiã. Ele ficou doido de tesão, que corpo, ele disse. Ela nem registrou o elogio, porque já o chupava, esfregava, lambia, massageava, que lindo, ela disse, o mais lindo que já viu, muito mais lindo que o outro. Ele perguntou: Que outro? Ela nem deu ouvidos, nem enrolou mais, e transaram ali, no banco do motorista, passaram pro do passageiro, depois pro de trás, de frente, de lado, por trás.
Mas ele não ligou no outro dia. Nem no outro. Nem na outra semana. Nem carta, e-mail, telegrama. Sumiu. Que merda! O que foi dessa vez?!

Com o cara 3, ela entrou em seu apê. Bebeu, bebeu, foi agarrada, ela disse não, foi arrastada, ela disse para! Ele pediu, pediu, pediu, ela disse só um beijinho. Ela deu um, mas ele logo veio apalpando, ela disse aí, não! Ele pediu mais beijos, ela, mais vinho. Mais bêbados. Ela se insinuou, ele queria vê-la nua, ela só mostrou a tatuagem na virilha, ele implorou, vamos pra cama, ela chamou um táxi. Nem esperou a confirmação, chamou o elevador, deu um beijo longo, sorriu e se foi.
Este ligou no dia seguinte. E no outro. Mandou flores, e-mails e um CD de presente. Liga todos os dias. Como homem é babaca, ela descobriu."
Criação demanda sempre
50% de inspiração e
50% de transpiração.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Para que enxergues

Fecho os olhos quando quero sentir com toda a intensidade;
de olhos fechados aguçam-se os demais sentidos.
Fecho os olhos para deixar aflorar o instinto;
esse constante prisioneiro das convenções.
Fecho os olhos quando quero ver de verdade;
então cedo a visão à pele, aos pêlos, às pontas dos dedos,
ao ventre,
aos lábios, às pernas e braços.
Fecho os olhos para te ver de perto;
quando não permites que me aproxime.
Fecho os olhos para te amar profundamente;
por tudo que és e meus olhos não vêem...

A alma secreta-me

Fui incitada a completar a trindade: bunda, peito e alma...
Aceito o desafio, embora pense que o que se pretendia dizer na verdade era: corpo, alma e amor... mas esse vai permeando tudo mesmo... e depois dedico outro especial ao melhor invólucro que duas almas que habitam dois corpos podem ter! 

"Minha alma tem o peso da luz.
Tem o peso da música.
Tem o peso da palavra nunca dita,
prestes quem sabe a ser dita.
Tem o peso de uma lembrança.
Tem o peso de uma saudade.
Tem o peso de um olhar.
Pesa como pesa uma ausência.
E a lágrima que não se chorou.
Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."
(Clarice Lispector) 

"A alma cativa e obcecada enrola-se, indefinidamente, numa espiral de desejo e melancolia,
e no círculo ardente nossa alma para sempre está presa."
(Drummond) 

"...Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..."
(Fernando Pessoa) 

"A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo.
À distância alguém canta. À distância.
Minha alma se exaspera por havê-la perdido.
Para tê-la mais perto meu olhar a procura.
Meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite faz brancas as mesmas árvores.
Já não somos os mesmos que antes tínhamos sido."
(Neruda)

"A alma é essa coisa que nos pergunta se a alma existe."
(Quintana)

"E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me."
(Hilda Hilst)

“Há a cumplicidade, a fidelidade, o humor, a intimidade do corpo e da alma, o prazer visitado e revisitado, há o animal aceito, domesticado, ao mesmo tempo triunfante e vencido, há essas duas solidões tão próximas, tão atentas, tão respeitosas, como que habitadas uma pela outra, como que sustentadas uma pela outra, há essa alegria leve e simples, essa familiaridade, essa evidência, essa paz, há essa luz, o olhar do outro, há esse silêncio, sua escuta, há essa força de ser dois, essa abertura de ser dois, essa fragilidade de ser dois... Constituir apenas um? Faz muito tempo que renunciaram a isso, se é que um dia acreditaram nisso. Amam demais seu duo, com seus harmônicos, seu contraponto, suas dissonâncias às vezes, para querer transformá-lo em impossível monólogo! Passaram do amor louco ao amor sensato, se quisermos, e bem louco seria quem visse nisso uma perda, uma diminuição, uma banalização, quando é ao contrário um aprofundamento, mais amor, mais verdade, e a verdadeira exceção da vida afetiva.” (Pequeno Tratado das Grandes Virtudes - André Comte-Sponville).

A alma secreta-me!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Salve a casa de Caio Fernando Abreu!!!

Solidarizo-me com a campanha encabeçada pela Andréa!
É um absurdo não tombarem esse tipo de imóvel!
Leiam e, por favor, divulguem!

Também tem que ter peito!

Embora discorde de Drummond, vou utilizá-lo para fazer a transição de trás pra frente:
"A bunda, que engraçada
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar."
(Drummond em O Amor Natural)
E dizer que aproveito para falar sobre outro ponto interessante da geografia feminina, curtindo a presença dos rapazes por aqui.
Na minha opinião, sem dúvida símbolo maior do "feminino", os seios também são preferências de muitos...
Talvez quem melhor os represente seja a Vênus de Milo. Ícone dos estetas e ambição de muitos cirurgiões plásticos.
Uma vez ouvi de um e jamais esquecerei. Diante de uma réplica da imagem, me disse: "Olhe a Vênus de Milo, ela tem seios perfeitos, com os mamilos situados sobre uma linha horizontal que atravessa a parte debaixo do braço, levemente imponentes. Estão equidistantes um do outro, olhando, displicentes, um pra cada lado. Esses detalhes simples nos são embriagantes. São o sinal de que se ajustam com exatidão, simplicidade e beleza."
E realmente são... Observe:
"Especula-se que quando nossos antepassados — ou, no caso, antepassadas — começaram a andar sobre dois pés na savana primeva, sacrificaram seu principal atrativo para os machos da sua espécie, que já naquele tempo (pelo menos os brasileiros) só pensavam nisso: a bunda empinada. A frente, e não mais as costas, da pré-mulher passou a concentrar todos os seus chamarizes sexuais quando ela virou bípede. Era preciso ter um equivalente da bunda na frente e por isso nasceram os seios. Eles seriam uma bunda que subiu na vida. A teoria não é minha, portanto não aceito protestos." (Luís Fernando Veríssimo)
"Amem outros a graça feminina
Gozem sonhar seus lábios entre seios
Outros e muitos... que meus cantos, dei-os
À tua formosura peregrina...

Meu doce Apoio jovem... Ó divina
Flor adónica de ópios e de enleios
Ver-te é esquecer que há neste mundo anseios
Carnais, ó Vénus masculina.

Ninguém saberá nunca quem tu és...
Meu coração, óleo que unja teus pés —
Quem sabe se tu mesmo o sentirás?...

Que importa... E a vergonha e o mal que importa?
Quem me dera viver à tua porta
Inda que vendo o amor que a outrem dás!...
(Fernando Pessoa)
"Quando os vejo... de paixão
Sinto pruridos na mão
De os apalpar e conter...
Sorriste do meu desejo?
Loucura! bastava um beijo
Para neles se morrer!"
(Álvares de Azevedo)
"Antever que aquelas costas evoluem nas mãos como um giz de cera. Reparar que a boca incha com os beijos, que o pescoço não tem linha divisória com os seios, que a cintura é uma escada em espiral.
É comum o homem, ao encontrar sua satisfação, recorrer a uma fórmula. Depois de sucesso na intimidade, acredita que toda mulher terá igual cartografia, igual trepidação. Se mordiscar os mamilos deu certo com uma, lá vai ele tentar de novo no futuro. Se brincou de chamá-la de puta, repete a fantasia interminavelmente. Assim o homem não vê a mulher, vê as mulheres e escurece a nudez junto do quarto.
Amar não é uma regra, e sim onde a regra se quebra.
Não se come uma mulher, ela é que se devora." (Carpinejar)
"Naquele instante ele acabara de escovar o bigode, satisfeito, e estava se preparando para um festim de ópio. A fim de acalmar sua amante, começou a beliscá-la e a dar-lhe palmadas nas nádegas. Ela era uma mulher diferente, com um pouco de sangue africano nas veias. Seus seios eram mais altos do que os de qualquer outra mulher que ele jamais tivesse visto, implantados em uma linha quase paralela à do ombro, absolutamente redondos e grandes. Foram os seios que primeiro o atraíram. O fato de serem implantados de forma tão provocante, tão perto da boca, apontando para cima, despertara nele uma reação direta. Era como se o sexo dele tivesse uma afinidade peculiar com aqueles seios, pois assim que eles ficaram à mostra no prostíbulo onde a encontrara, seu pênis ergueu-se para desafiá-los em igualdade de condições." (Anaïs Nin em Delta de Vênus)
"Chega-te a mim! entra no meu amor,
E e à minha carne entrega a tua carne em flor!
Preme contra o meu peito o teu seio agitado,
E aprende a amar o Amor, renovando o pecado!
Abençôo o teu crime, acolho o teu desgôsto,
Bebo-te, de uma em uma, as lágrimas do rosto!"
(Olavo Bilac em Tempo e Poesia)
"Peitinhos de mocinhas. Inocentes peitinhos. Estes que elas levam para a rua debaixo de uma camiseta e sem a devida proteção de um sutiã ou, como dizem em Portugal, guarda-seios.
No exato momento que ela se vestiu daquela maneira sabia tudo. Sabia que iam olhar, sabia que com uma pequena variação atmosférica, poderiam ficam um pouco mais rijos e em destaque. Sabia que os homens iriam olhar com variados tipos de observações íntimas. Sabia o que as mulheres mais velhas iriam pensar. Sabia o que o namorado, caso tivesse, iria pensar. Mesmo assim - e talvez por isso - levou os dois seios para o passeio público.
Pois eu estava aqui escrevendo a crônica sobre a menina. Pensando com os meus botões o que teria ela na cabeça, pois no tronco eu sabia. E via. Até sentia. E a menina são várias por aqui onde moro e escrevo. E os seios, em dobro." (Mário Prata)
"Ainda que mal pergunte,
ainda que mal respondas;
ainda que mal te entenda;
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista;
ainda que mal desculpes;
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda que mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encare,
ainda que mal te furtes;
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;
ainda assim te pergunto
e me queimando em teu seio,
me salvo e me dano: amor."
(Carlos Drummond de Andrade)
E agora?!
Back side or front side?!
What do u prefer?!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Blogs SELO DE OURO

Michele, obrigada pela indicação!
O teu blog também é o máximo!


Ao aceitar receber este selo, os indicados devem cumprir quatro procedimentos básicos:

1º Colocar a imagem do selo no seu blog;
2º Indicar o link do Blog que o indicou;
3º Indicar outros blogs para receberem o selo;
4º Comentar nos blogs dos seus indicados sobre este selo.

Os blogs indicados pelo Blog Milfacesdeluiza são:
Blog do Sandro Sell
Esconderijo do Observador
Blog do Ruy Gessinger
Paralelo 29

Além daqueles também do coração, já indicados pela Michele, que não posso deixar de indicar:
TPM - Minha grande inspiração!
Que seja doce
Entrehermes
Genealogia do Caos
Beautifulbutterflywoman

Beijos a todos! E que continuem publicando textos inteligentes, interessantes, provocativos, doces, hilários, sexies, brilhantes, enfim... como menos não se pode esperar de cada um de vocês!

O sexo é bom, mas depois não há conversa... ou... O sexo é ruim, mas a conversa é boa.

"A relação vai bem na cama, mas no momento de olhar para o teto fica-se com vontade de sair dali e ser astronauta. Nenhum dos dois fala. Ambos tartamudeiam. A química da pele queima, só que a boca não funciona para outra coisa a não ser beijar. Como se portar? Tirar proveito do humor, brincar, atiçar papéis. Procure descobrir o que ela curte, solte curiosidades, confesse suas taras. Ousadia é melhor do que omissão, não importa a dosagem. Ninguém pede desculpa pela ousadia, mas é possível se arrepender pela falta dela. Em primeiro lugar, não deixe o silêncio tragar o casal. Fale do incômodo do próprio silêncio, se for o caso, para interceptá-lo. Está provado, mulheres gostam de homens divertidos. Rir já é voltar a transar. Fazer sexo é também conversar. O sexo não acontece somente no quarto. Inicia-se antes, no jantar, no cinema, nos olhares prolongados, nas mãos dadas, no jeito de contornar o rosto e o pescoço. A véspera determina a umidade. O homem também tem receio de ser enganado com o orgasmo. Um orgasmo fingido é o que mais o abala.
De que modo definir se ela está gozando? Pelo ritmo. O que é contido, sincopado, fica desgovernado ao final. Uma mulher se expulsa na hora H. Ou melhor, na hora M. Ela se derrama e a cama é escassa para recebê-la. Uma mulher quando finge continua segurando as rédeas. Uma mulher quando goza deixa ser levada pelo animal do instinto. Mas não questione nada. Se desconfiar que ela não teve arrebatamento, recomece em vez de perguntar. O orgasmo aumenta com a soma de vacilações e dificuldades. Uma mulher que demora mais para atingir o prazer será justamente a que terá maior prazer depois."

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O último recôndito

Como os rapazes estão marcando presença no blog, enchendo o espaço de testosterona (o que é tudo de bom!), decidi presenteá-los com o que 9 entre 10 deles consideram o melhor e sempre rende bons papos:
Olhem só:
"Sua bunda, deveras um espetáculo por si só, fez daquela festa algum sentido. E quando vi aquela extensão das suas costas ligando a bunda na sua omoplata, todas as festas num raio de dez mil quilômetros fizeram sentido. E quando um bacana de copo vazio na mão gritou seu apelido de infância e você me deu meia face, qualquer festa faria sentido porque meu sistema natural de troca de oxigênio fez todo sentido. Você tem a melhor omoplata do mundo. Ouvi dizerem que uma mulher pode ser amada pelo resto da vida por um homem que só a viu atravessar a rua num dia perdido. Você me faz entender qualquer metonímia. E eu nem sei seu tipo sanguíneo." (pelo Gabito)
"Tenho horror a mulher perfeitinha.
Sabe aquele tipo que faz escova toda manhã, tá sempre na moda e é tão sorridente que parece garota-propaganda de processo de clareamento dentário?
E, só pra piorar, tem a bunda dura!? Pois então, mulheres assim são um porre. Pior: são brochantes. Sou louco? Então tá, mas posso provar a minha tese. Quer ver?
[...]
BUNDA DURA: As muito gostosas são muito chatas. Pra manter aquele corpão, comem alface e tomam isotônico (isso quando não enfiam o dedo na garganta pra se livrar das 2 calorias que ingeriram), portanto não vão acompanhá-lo nos pasteizinhos nem na porção de bolinho de arroz do sabadão.
Bebida dá barriga e ela tem HORROR a qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba onde começa a pornografia: nada de tomar um bom vinho com você. Cerveja? Esquece! Melhor convidar o Jorjão.
Pois é, ela é um tesão. Mas não curte sexo porque desglamouriza, se veste feito um manequim de vitrine do Iguatemi, acha inadmissível você apalpar a bunda dela em público, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a seqüência de bíceps e tríceps.
Que beleza de mulher. E você reparou naquela bunda? Meu Deus...
Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira de bebedeira.
Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas adora sexo. Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução (e, às vezes, nem chegam a ser um problema).
Mas ainda não criaram um remédio pra futilidade. Nem pra dela, nem pra sua." (lá do Estripulia).
"Sem dúvida, Joana foi o melhor papai-e-mamãe que experimentei. Tinha a bunda mais macia e redonda que conheci e uma língua que trabalhava em movimentos espirais e circulares." (Marcelo Mirisola em Joana a Contragosto - livrinho delicioso!)
Outros, mais experientes, já haviam declarado seu amor a esse ponto especial da geografia feminina:  
"No corpo feminino, esse retiro
- a doce bunda - é ainda o que prefiro.
A ela, meu mais íntimo suspiro,
pois tanto mais a apalpo quanto a miro.
Que tanto mais a quero, se me firo
em unhas protestantes, e respiro
a brisa dos planetas, no seu giro
lento, violento... Então, se ponho e tiro
mão em concha — a mão, sábio papiro,
iluminando o gozo, qual lampiro,
ou se, dessedentado, já me estiro,
me penso, me restauro, me confiro,
o sentimento da morte eis que o adquiro:
de rola, a bunda torna-se vampiro."
(Drummond)
 "Enquanto ela estava distraída, eu puxei com toda força meu braço, fiz com que caísse da cama, dei a volta, impulsionei pra trás dela e pimba! Coloquei minha mão na bunda dela. Assustada, ela olhou em volta, não viu ninguém próximo, olhou pra mim e deu uma gargalhada deliciosa. Antes do acidente, eu tinha mania de colocar minha mão na bunda dela e dar um tapinha. Agora, recuperando minhas forças, recuperara também minhas vontades. Fiquei com a mãozinha naquela coisa fofa. Não sentia direito a mão, nem mexia os dedos, mas dava pra curtir aquela caminha macia." (Marcelo Rubens Paiva no excelente Feliz Ano Velho).
E, por fim, a questão fundamental:
"Acho que poucas mulheres entendem a fixação em bundas e em sexo anal. Para ser bem honesto, eu mesmo não sei se entendo direito, apesar de adorar. Mas conheço várias teorias sobre o assunto, e é sobre isto que vou falar hoje.
A primeira teoria, de sociólogos, é que o brasileiro gosta especialmente de bundas por causa do anonimato que olhar para a bunda da mulher oferece. Afinal de contas, quando você olha para a bunda de uma mulher ela não está olhando para você, o que permite uma observação detalhada da anatomia dela… Alguns dizem que isto vem da época da escravatura, onde os senhores podiam olhar livremente para as bundas das escravas sem nenhum pudor. Mas não sei se faz muito sentido, pois se eles eram senhores de escravos podiam olhar à vontade para elas, não é?
Outra teoria que achei interessante é que o sexo anal coloca o homem numa posição de dominação perante a mulher, e ela se torna totalmente submissa aos prazeres dele, o que daria intenso prazer ao homem. Assim, ele estaria no controle absoluto, e ela cedendo aos caprichos e desejos dele. Ele, como macho, se sentiria superior e o prazer viria da submissão da mulher.
O pessoal mais “anatômico” fala que o ânus é mais apertado que a vagina, e aí o homem teria mais prazer pela maior compressão que o ânus oferece ao pênis. Também faz certo sentido…
E tem os psicólogos, que falam que a grande questão é que o homem sente prazer no ânus, pois dentro dele tem a próstata, que se manipulada gera muito prazer no homem. O que passaria na cabeça (inconsciente) do homem é que se ele sente prazer na região a mulher provavelmente também sente, o que não é exatamente uma verdade. Daí ele achar que está “abafando” ao fazer sexo anal com ela, mas na verdade o prazer que ela sente é menor que o que ele sentiria na mesma região.
Sei que todas estas teorias ainda não me satisfizeram em relação ao assunto. Só sei que para o homem há bastante prazer nesta prática, e espero que as mulheres se sintam cada vez mais à vontade para pratica-la.
Sempre é bom lembrar que é uma situação de alto risco, e o preservativo é altamente recomendado."
(Texto extraído do Blog Man Sexy, apud Beauty)
Alguma nova teoria a acrescentar?!?!

domingo, 1 de agosto de 2010

Cléo

Ela definitivamente não faz o meu tipo... não acho bonita... mas reconheço que a mistura do Fábio com a Glória ficou bastante exótica... e ela tem uma brejeirice brasileira inegável.
De todas, por razões estéticas, escolheria essa capa:

De qualquer forma, como AMO tatuagens, não posso deixar de reconhecer que a ideia das tatuagens de henna foi perfeita:
Para aqueles que não se interessam pelas belas fotos e compram a revista apenas para "ler as entrevistas" - muitas delas de fato interessantíssimas -, segue o poema do brilhante Fernando Pessoa, tatuado no corpinho "mais ou menos" (a inveja é uma merda! rsrs) da Cléo:

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

Não, não... não estou ganhando nada da Playboy... mas achei perfeito o "quero ficar no teu corpo feito tatuagem" (como diria o Chico)... e porque se trata de uma revista que, cedo ou tarde, fez parte da vida (ou do imaginário) de todos nós. E se ainda não fez, acho que alguma coisa não está legal, meu!

Simplesmente eu

A peça foi ótima.
A montagem mto boa.
A interpretação da Beth Goulart, surpreendente.
Tirando alguns certos exageros, como o glamour do figurino - e, penso eu, Clarice devia ser uma mulher muito mais discreta -, a peça valeu cada minuto. Eis um pouco do que ficou, parafraseando-a:

A vocação sem o talento não é nada.
É como saber onde se quer chegar, sem se saber como.

Escrevo para esvaziar a minha cabeça, para ficar livre de mim mesma.

Sempre amei o que imaginava ser bom, não o que efetivamente era. Por isso não dava certo.

O que mais amo na vida são meus filhos, porque os tive por opção, 
e escrever, o que faço por necessidade.