sábado, 14 de abril de 2012

Despedida

Queridos leitores, amigos, afetos:
Agora que finalmente "saltei", não voltarei mais.
Levo comigo o coração cheio de lembranças:
dos bons momentos,
das amizades construídas, 
das discussões travadas, 
das indignações expostas,
dos doces saboreios,
das afinidades descobertas,
das amargas desesperanças,
das risadas literais,
das fúrias arrefecidas,
das afinidades descobertas...
graças a possibilidade que temos
de nos tocar uns aos outros virtualmente.
Esse blog foi um sonho realizado,
mas agora existem outros caminhos a percorrer.
Tarefas a cumprir.
Desejos a realizar.
Metas a alcançar.
Por terem participado da escrita de algumas importantes páginas da minha vida, deixo a todos o meu carinho e a certeza de que estarão comigo quando sentir saudades desse tempo bom!
Espero que voltemos a nos encontrar pelas curvas da estrada...
Um abraço apertado e um beijo doce,
Lúcia Fontes.

domingo, 8 de abril de 2012

terça-feira, 20 de março de 2012

“A mulher foi feita da costela do homem.
Não dos pés para ser pisada,
nem da cabeça para ser superior,
mas sim do lado para ser igual,
debaixo do braço para ser protegida
e do lado do coração para ser amada.”

(provérbio árabe)



domingo, 11 de março de 2012

"- Eu não tenho ideia alguma do que você tem - disse. - Mas soa como se esse homem fosse um gentil companheiro de aventuras para você. E você se senta lá e reclama dos detalhes de acabamento! Por que você implica com os quadrinhos em ponto cruz? Além disso, provavelmente não foi ele que os bordou. Talvez ele não quisesse apagar as lembranças de seus pais. Pensava mesmo que toda casa de campo sueca se parece com a de Carl Larsson?"
(em Amor Fora de Hora, p. 69)

sábado, 10 de março de 2012

Ausente

Sorrir sem estar contente
Gostar sem recíproca que alimente
Desejar sem me sentir pertencente
Calar sem tua boca condescendente

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Reflexo

"Se sou amado,
quanto mais amado
mais correspondo ao amor.

Se sou esquecido,
devo esquecer também,
Pois amor é feito espelho:
tem que ter reflexo."

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Nada mais me (en)cobre,
só a vontade de ti.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Moralismo

Ele: Adoro a expressão "fui pra cama"... Perde todo o tom moralista que carrega quando dito por uma mulher que fala de si, como tu...
Ela: Perde?!...
Não gostas do que parece e pode não ser
e eu não gosto do que não aparece, ainda que seja...
Ele: Linda é a paz da mulher que caminha nua, e sem se saber vista, pela casa...
Ela: Galanteador e sensível é o homem que sabe o momento certo da intimidade a dois para, parafraseando Drummond, encantar a mulher que está ao seu lado...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Volúpia

"No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frêmito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!

A sombra entre a mentira e a verdade...
A nuvem que arrastou o vento norte...
- Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!

Trago dálias vermelhas no regaço...
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!

E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças..."
(em Charneca em Flor)
Fico lembrando das raras vezes em que conversamos...
Sempre notei uma ponta de lascívia no desenho da tua boca
ao sorrir ou ao conter o riso.

É, como diria Nelson Rodrigues:
"Só o rosto é indecente. Do pescoço para baixo, podia-se andar nu."

Apenas metade


Ele: Eu seria, sei lá, hipócrita, se dissesse que não vejo importância na consideração dos valores dessa 'sociedade', que não vejo até beleza nessa mediocridade (que te sufoca, vejo). O que haveria de transgressão não fossem os limites? Não me arrependo de, em nome desses valores, desses bons modos, não ter outrora te beijado a boca... Foi tão bom esperar! É como a música de protesto do Chico Buarque. Que seria dele não fosse a repressão? Metade do que é...

Ela: É que a minha sensação de inadequação reside justamente nisso. Respeito porque assim o exige o convívio social; me submeto até, mas nunca pacificamente. Se concordasse, mansa, aí sim, seria, talvez, metade... Gostarias de apenas metade de mim?! Eu seria mais feliz? Te faria feliz?

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Deboche

Contigo sempre evitei ser debochado,
mesmo nas brincadeiras mais banais,
simplesmente porque teus sorrisos me desconcertavam.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Fantasia

 
Ele: Sabes, é engraçado, contigo não sinto nenhuma necessidade de me camuflar nos teus gostos, desejos, linguagem, nada... Me sinto eu mesmo... Admiro tua linguagem sutil, sugestiva, que insinua, mas jamais é bruta, chula, como a minha... mas não sinto a menor vontade de te imitar...
Ela: Mas nem espero mesmo que imites... Gosto justamente de como despertas em mim sentimentos variados: de ser tua puta, teu amor, ficar brava, te agradar, me sentir envergonhada, invadida, investigada...
Ele: Eu sei que não queres, mas quando o macho conquista, às vezes, é obrigado (ou se obriga) a se camuflar, para não perder o objetivo final: levar à cama. Contigo é diferente... sinto como se para te conquistar eu não precisasse mais que meu encantamento.

Multiplicidade

Ela: Vivo em constante eclipse, talvez daí a melancolia...
Ele: Não se preocupe... nunca é total... tuas partes nunca escondem completamente umas às outras.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Raízes

"O almoço de domingo era sempre um almoço especial. Naquele dia comiam na sala de jantar, espaçosa e clara, e tomavam todo cuidado para não derramar nenhuma migalha na linda toalha de linho bordado. Nos domingos, a mãe tirava da cristaleira as finas porcelanas brancas e douradas, decoradas com florzinhas cor-de-rosa, e os guardanapos de linho branco tinham os mesmos bordados que a toalha da mesa.
[...]
O almoço de domingo não tinha hora para terminar. Comeram devagar, o mais que puderam. Então a mãe ainda trouxe as sobremesas: uma grande vasilha de espuma de sapo, feita de leite, açúcar e ovos batidos em neve, outra vasilha com pudim de leite e a grande tigela de vidro verde com compota de pêssego."
(em No Tempo das Tangerinas, p. 21)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Do que é bom ouvir e do que se deve falar


Não gostaria de nada profilático, mas apenas da atmosfera do dia em que resolvi bater à tua porta e realizar desejos antigos...
E agora, ainda, acrescida da ternura de querer passear o indicador sobre teu corpo ao te acordar...
(Do que é bom de ouvir)

Confessou que sabia ser inútil pedir, mas gostaria de encontrá-la - e à sua casa e ao seu quarto - como num dia comum: a unha quebrada, os sapatos espalhados, a calcinha surrada, o pão a ser comprado com a manteiga... tudo isso que lhes daria a sensação de que a fatalidade do amor (tão esperado que já transbordava) suplanta a desordem da vida.
(Do que se deve falar)

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Preciso de ti

"Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser conjunto ao teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida. Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho-carente, tigre e lótus. Preciso de você que eu tanto amo e nunca encontrei. Para continuar vivendo, preciso da parte de mim que não está em mim, mas guardada em você que eu não conheço. Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas caírem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã."

(disponível em http://semamorsoaloucura.blogspot.com/2006/09/crnica.html)